MALBA VARJÃO

SORORIDADE

Drª Malba Thania Alves Varjão – Imagem: arquivo pessoal

Rivalidade, menor valia, competição são palavras que habitam o inconsciente feminino. Fomos educadas numa sociedade machista e patriarcal, o que muitas vezes de maneira instintiva nos leva a não confiar na capacidade feminina.

Sororidade, cujo significado é a aliança baseada na empatia, companheirismo e objetivos que possam fortalecer a posição da mulher na sociedade, e por extensão, “união de mulheres que se apoiam mutuamente, e compartilham os mesmos propósitos e ideais”. Não somos, ou não devemos ser rivais, mas sim irmãs e devemos fazer valer este princípio de irmandade. Nunca, jamais julgar ou censurar mulheres por pensarem e agirem diferente de nós.

Somos únicas em nossa individualidade, isso é fato, mas a liberdade de escolha do que devemos fazer é nossa e pode ser coletiva, o que nos traz a segurança necessária para o desenvolvimento e utilização de nosso melhor potencial de energia e força.

A competição só nos incomoda. Já a compreensão, a união e a irmandade, nos estimulam e nos fazem vencedora, afinal vivemos em um mundo altamente competitivo.

Como uma das primeiras mulheres a obter protagonismo e enfrentar a política, até então um ambiente totalmente masculino. Inegável que sofri discriminação, preconceito e até desrespeito, mas hoje, embora isso aconteça em menor grau, acontece e não dá mais para permanecer inerte, calada.

Em um passado não muito distante, até por falta de foco no assunto através meios de comunicação, certas as atitudes não tinham como ser denunciadas. Hoje, na era da comunicação digital, rápida e eficiente, não podemos jamais deixar de elevar nossa voz, ainda que suavemente. Jamais calar, aceitar passivamente, o que significa consentir.

E o quanto é importante olharmos para dentro de nós, ver as lutas pelas quais passamos e com isso, nunca julgar outras mulheres, sejam quais forem suas escolhas na vida, mas procurar a compreensão e a razão, para que se possa aceitar e respeitar.

Ter cuidados, para estar sempre consciente e ainda que inadvertidamente, sem intenção, não promover ofensas subjetivas ou com palavras e atitudes, apenas porque conforme a situação, julgamos ser o sexo frágil.

Mesmo hoje, em dias de modernidade e alta tecnologia, nos deparamos com pessoas praticando atitudes discriminatórias e preconceituosas em relação a nós mulheres.

Um exemplo triste: a famigerada e inaceitável violência doméstica, que em alguns casos, tristemente evolui para feminicídio, cresce diante de todos a olhos vistos.

Mas, são muitas as mulheres, passageiras do mesmo barco da vida, que por hábito, insistem em denegrir e rejeitar quem julgam ser diferente, ou ser além do que se entende ser o absoluto certo.

Se faz necessário compreender que cada mulher é única e dona de sua vontade, e dessa forma não podemos ver em uma semelhante, como concorrente, rival, que supostamente ofuscarpa nosso brilho.

Devemos sim, nutrir o maior e melhor sentimento de respeito, amizade e carinho, atitudes quase sempre, tão raras nos dias atuais.

Autoestima, autoconfiança e empoderamento feminino devem ser inseridas no cotidiano e desenvolvidas no subconsciente.

Sempre que possível, devemos exercitar a generosidade, ajudar quem necessita de apoio. E isto é praticar de maneira efetiva a sororidade. Oferecer ajuda, doar um pouco do tempo, oferecer conselhos a quem necessita e esclarecer a quem não conhece a história de luta de tantas mulheres que, subjugadas, dominadas, sucumbiram indefesas, para que hoje nós tivéssemos uma realidade mais justa e humana.

Ser feminina não significa ser fraca, afinal, cada uma é quem sabe a dor e a delícia de ser mulher.

Drª Malba Thania Alves Varjão – Psicóloga Clínica

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