MALBA VARJÃO

O MEDO: INIMIGO OU BENFEITOR? AÇÕES E REAÇÕES PARA ENFRENTAR E CONVIVER

Por Drª Malba Thania A. Varjão – Imagem de Stefan Keller por Pixabay 

Estamos em tempos de pandemia. Terrível pandemia, onde o inimigo é comum a todos, independentemente de classe social, profissão ou local onde vive. Esse inimigo mortal e invisível ataca, judia, destrói famílias, traz dor e tristeza.

Ainda traz consigo o medo, seja pelo farto noticiário do tema nos meios de comunicação – que claro, cumprem sua missão, seu dever de informar e alertar – ou pelo fato de cada vez mais se perceber que ele está rondando, está muito perto, levando pessoas queridas, amigos de longa data. Isso traz um forte dano psicológico, extremamente prejudicial e perigoso.

As pessoas tocam o dia-a-dia, o cotidiano com a sensação de estarem diante de um holocausto, quando semi-enclausurados têm sensações de medo, como se enfrentassem os horrores de uma terceira guerra mundial.

Suas vidas e emoções podem estar à deriva, sem rumo certo e sem previsão do que pode ser o futuro. E isso traz danos psicológicos, potencializando transtornos como depressão, síndrome de pânico, stress pós-traumático e outros que felizmente, com os avanços e estudos da psicologia e da medicina psiquiátrica, passaram a ter melhor detecção e identificação, bem como diagnóstico claro e correto. Tais dificuldades – ou transtornos – passaram a ser mais conhecidos e consequentemente, tiveram maior compreensão das pessoas próximas quanto à sua complexidade e sofrimento para o portador.

Atualmente, poder ser decorrentes dos efeitos desse isolamento obrigatório, rigoroso e necessário, com o distanciamento social que de maneira abrupta e imediata fez mudar tudo o que se tinha como rotina, sem contar que tínhamos – ainda estamos – em um período onde a economia do país estava complicada, com altas taxas de desemprego e subempregos. Tais alterações naturalmente trouxeram medo, e medo de praticamente tudo.

Os tempos estão difíceis, todos os dias recebe-se notícias tristes e desoladoras de pessoas queridas que partem sem volta. E isso faz com que as pessoas se sintam reféns, encurralados frente a uma realidade que leva a se perguntar com certa frequência: quando tudo isto vai passar?

O medo é uma emoção básica diante do perigo e ficar temeroso e ansioso em um momento como este, pode até ajudar. Como reação fisiológica de defesa, o medo é uma proteção. Porém se começar a se apresentar de maneira exagerada, se transforma em transtorno de ansiedade, com tamanho desproporcional e irreal em relação à situação problema e haverá de interferir na qualidade de vida prejudicando a concentração, o sono, a convivência social e familiar, além do equilíbrio emocional.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a prevalência mundial do transtorno de ansiedade é de 3,6% e no Brasil está presente em 9,3% da população, praticamente o triplo das estatísticas mundiais.

Mas como manter então a saúde emocional em uma situação de insegurança e dificuldades como a atual, onde pessoas tidas como saudáveis e de grande equilíbrio emocional se abalaram?

Primeira providência: procurar ajuda psicológica para aprender a controlar o medo e a ansiedade excessiva. É a opção mais sensata para manter a saúde mental.

Pensamentos de insegurança trazem perda de controle e pessoas com pré-disposição ou até mesmo já identificadas com algum transtorno psicológico podem ter seus sintomas agravados e potencializados nesse período.

Dessa forma, é recomendável fazer uso de estratégias comportamentais que ajudem no controle, no “manejo” do medo, planejando as ações que precisam ser executadas. Diante do novo, roteirize, planeje sua rotina, busque atividades que façam bem, relaxem positivamente e utilize a tecnologia a seu favor, fugindo de proximidade de tragédias e notícias alarmantes.

O medo se constitui numa emoção e pode ser inimigo ou aliado, pois é um valioso instrumento que temos para nos alertar em caso de perigo iminente ou desafios que surgem. Ele nos impulsiona a agir ou se prevenir da maneira que for possível.

O medo não vai desaparecer de nossas vidas, mesmo após essa pandemia passar. Continuará como sempre fazendo um papel necessário e vital à nossa vida e se em excesso, continuará a gerar transtornos psicológicos.

É importante buscar ajuda de um profissional para identificar de onde ele vem, qual sua intensidade e que ações desenvolver para lidar melhor com ele, tornando-o mais funcional na sua vida, de forma que ele não atrapalhe, mas sim, ajude.

Vivenciamos um momento muito difícil e indesejável, no entanto, é preciso tomar atitudes necessárias para minimizar os seus impactos na saúde mental. Se reinventar para fazer face às dificuldades que precisam ser enfrentadas. E vencê-las

 

Drª Malba Thania Alves Varjão

Psicóloga Clínica

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