ALCACO & CULTURA

“TEMPOS IDOS” – REFLEXÃO POÉTICA DE EROTILDES MILHOMEM

Anos 1960, 70 e 80… Anos dourados do tempo, da vida. Vivíamos em um mundo quase encantado, onde nossos idosos eram respeitados, onde irmãos mais velhos eram quase divindade. Tios, padrinhos, madrinhas eram tratados com superioridade.

— Sua bênção vovô! Sua bênção, vovó! A bênção, papai e mamãe!  Era preciso ter a bênção sempre: de manhã, para salvar o dia; na saída de casa, para onde quer que fosse; ao dormir, a garantia de bons sonhos na noite; e também para ter a certeza de pertencer à família. É reforço, certeza de ser amado.

A arte, a cultura e o esporte eram nossa rotina, praticávamos intensamente. Havia humor, bom humor, mas sem apelação. E ninguém amou a vida tanto quanto nós. Brincadeiras de roda, cantando a Ciranda-Cirandinha e nas noites claras, o luar banhando de luz ruas empoeiradas. Bonecas de pano feitas com carinho e guardadas singelas e quietas em um cantinho. Os meninos, cavalgando seus cavalos de pau. Brincadeiras de criança, histórias de lobo mau, às vezes, uma queda e braço quebrado, ou pés desconjuntados, doloridos… Era o trivial das brincadeiras. Brincar de quitutes, e nas margens do rio mágico e imponente, nadar e pular da pirambeira.

Professor e professora: segunda mãe, segundo pai.

Hoje, muitos de nós partiram, foram ao encontro do Senhor na Glória Eterna.

Os que ficaram, se tornaram testemunhas de um tempo feliz, vivendo e revivendo lembranças de muito amor. E veem um mundo de pernas pro ar, e ficam tímidos, assustados e medrosos ao perceber que o mundo está às avessas. Porque os tempos mudaram?

Quem devia bem administrar é o primeiro a corromper. A corrupção tomou conta. Se esqueceram que o Criador e o Dono do mundo é Deus. E se Ele não está presente nos corações, aí chegam as pestes, as guerras… Guerras silenciosas, surdas mudas! Pam!!! Pandemia!!!!!

Nem isso serve de alerta. Sequer se importam com as próprias vidas; nem ligam se a casa está ou não com as portas abertas…

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EROTILDES DA SILVA MILHOMEM – escritora, historiadora, folclorista, artista plástica, professora aposentada, membro da ALCACO –  Academia de Letras, Cultura e Arte do Centro-Oeste, cadeira 21. Escreveu Meu Araguaia Querido (1985), Uma Menina do Araguaia (1990), Maria Rita da Serra do Roncador (1996), Poesia do Araguaia (1998), Folclore do Araguaia (2000), Barreira do Araguaia (2004) e Dicionário da Língua Popular Regional do Araguaia (2019). Reside em São Félix do Araguaia – MT.

 

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Comments (4)

  1. Parabéns e obrigada por nos presentear com essa linda reflexão!
    Marcilea Moreira Milhomem

  2. Maravilhosa escritora!Com uma sensibilidade de perceber os fatos e colocar no papel de forma tão real e comovente. Viva Erotildes Milhomem.

  3. Maravilhosa escritora. Tem uma sensibilidade incrível em perceber os fatos e colocar no papel de forma tão real e comovente. Viva Erotildes Milhomem!
    Marília Cunha

  4. Que lindo texto, Princesa das Letras do Araguaia! Bem escritor, simples e belo! Obrigada pelo lindo presente a nós, leitores! PARABÉNS!!!
    Vera Lúcia Paganini
    Goiânia – GO

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