HISTÓRIA

VALDON VARJÃO E SEU EMPENHO NO SENADO DA REPÚBLICA CONTRA A DISCRIMINAÇÃO E O PRECONCEITO RACIAL

De maneira trágica, o mundo se voltou para o absurdo e desumano fato que a discriminação e o preconceito racial existem fortemente em nossos dias. A tragédia que envolveu a morte de George Floyd na cidade de Minneapolis, Estados Unidos da América, reacendeu a luta contra o racismo, gerando movimentos e protestos em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Valdon Varjão, em sua atuação como homem público sempre combateu atitudes discriminatórias, sejam em que grau fosse. Enaltecia e valorizava suas origens: filho de ferreiro e lavadeira, nordestino e negro. Como tantos brasileiros de sua época, lutou desde cedo para escapar da pobreza material pela vida difícil que tinha e não fossem coragem, determinação, capacidade de luta e de agregar pessoas não teria construído uma história de vida exemplar.

No ápice da vida pública – para ele somente mais um passo dado – ao assumir como Senador da República, logo se dispôs a denunciar a discriminação e o preconceito racial, tão comuns no Brasil, sendo considerado como o primeiro membro daquela casa de leis assumidamente negro e a abordar de maneira veemente o assunto, ainda que isso viesse a contrariar alguns de seus pares.

Chama a atenção quando de seu célebre discurso de estreia no senado, onde denunciou o racismo existente, por ocasião da 92º aniversário da abolição da escravatura no Brasil.  Entre apartes elogiosos de seus pares, veio um discordante, do então senador por Sergipe, Passos Porto, que de maneira polida e elegante refutou sua tese, afirmando que tais situações não existiam no Brasil. Conforme registro no Diário do Congresso Nacional, disse Passos Porto: “V. Exª em seu discurso, traz ao debate no Senado o problema da discriminação racial no País, o que em absoluto não acreditamos existir, mesmo porque somos uma raça mestiça. Consideramos até a Lei Afonso Arinos um excesso legal, porque, ao longo dos anos, em todas as constituições, constou a não discriminação racial e a não discriminação religiosa”.

Detalhe: era a primeiro pronunciamento de Valdon Varjão na tribuna da casa revisora.

Outro momento marcante – dentre tantos com essa bandeira – foi quando em sessão no dia 22 de agosto de 1982 Valdon Varjão registrou nos anais da casa e denunciou a discriminação sofrida pela cantora e compositora Leci Brandão, uma das maiores e mais talentosas artistas do Brasil, hoje deputada estadual em São Paulo em terceiro mandato, que sofreu absurda e triste situação de discriminação racial em um prédio na cidade do Rio de Janeiro, discriminação perpetrada por um porteiro, que segundo se apurou, seguia ordens da administração do condomínio. O porteiro, acabou indiciado, mas por contravenção penal, não por racismo ou discriminação. Quem deu a ordem e estabeleceu a “norma” no prédio, ficou impune.

Valdon Varjão nunca coadunou com injustiças, desumanidade e principalmente discriminação e preconceito racial.

Abaixo, o link para acesso à página e à biografia de Leci Brandão.

https://deputadalecibrandao.com.br/conheca-leci/itemlist/category/12-biografia

Deputada estadual Leci Brandão – PCdoB-SP – Créditos imagem: Agência Alesp

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