HISTÓRIA

GAZITA MAGAZINE: CORAGEM E EMPREENDEDORISMO

Imagens: Cópia de originais da GAZITA MAGAZINE – Acervo Valdon Varjão

O escritor latente na personalidade de Valdon Varjão veio à tona quando resolveu colocar em prática o projeto e trabalhar para a edição do primeiro número da revista GAZITA MAGAZINE, publicada no ano de 1978. Gazita, tinha por objetivo dar ao leitor uma visão mais ampla de Barra do Garças e da região, trazer fatos de seu passado e mostrar seu presente e mostrar tudo isso para o mundo.

O nome “GAZITA” foi uma homenagem do Valdon Varjão à uma enorme “lancha” a vapor pertencente ao empresário Clarindo Mota que sulcava as águas do Araguaia no início do século passado, por volta dos anos de 1927 a 1933 e foi o veículo condutor de uma grande leva de migrantes para o leste mato-grossense e oeste e sudoeste goiano. Além disso, abastecia o comercio local de gêneros alimentícios e produtos de primeira necessidade que não eram produzidos na região, como café, açúcar, sal, querosene, remédios, bebidas, latarias e outras mercadorias.

Essa lanha e seu comandante foram os grandes responsáveis pela integração do Mato Grosso à parte de seu território do norte do estado, pois na época a colonização do Estado do Pará se estendia até a barra do Rio Tapirapé, incluindo as localidades de Furo de Pedras (hoje Santa Terezinha) e Morro das Areias, adentrando milhares de quilômetros no território mato-grossense.

A Lancha Gazita visitava a região mensalmente e trazia levas de migrantes, a maioria nordestinos, futuros habitantes que povoaram a região garimpeira. Sua presença causava a sensação de sempre trazer boas novas. Quando o apito estridente ecoava nas matas e margens dos rios, era ouvido a quilômetros de distância e atraía ao porto grande parte da população – seja nas chegadas ou partidas.

GAZITA MAGAZINE, seguindo a vocação da antiga lancha, também a cada mês levava a história de Barra do Garças e do Vale do Araguaia aos mais longínquos pontos do país. Deixou registrado o passado de lutas dos bravos pioneiros e a realidade do momento.

Qualquer morador podia ser um colaborador e difusor de cultura e das belezas naturais do lugar onde vivia, o que acabava atraindo visitantes e simpatizantes, que após conhecerem o Vale do Araguaia, fincaram raízes e passaram a ser moradores.

Era comum receber palavras elogiosas e estímulo – ou críticas construtivas – por parte dos leitores através de cartas. Para manter viva a chama do ideal e bancar os altos custos para fazer a revista, contava com a colaboração promocional do comércio e da indústria locais, que anunciavam através de publicidade.

PARA A GAZITA VIVER VAI DEPENDER DE VOCÊ.

Valdon Varjão, idealizador e editor da revista deixou registrado:

“Editamos a GAZITA MAGAZINE, porta voz da cultura regional e do progresso de Barra do Garças para grafarmos as memórias vivas dos que ainda relembram histórias do início de Barra do Garças; achamos que a juventude de nossa terra não deveria ficar alheia aos fatos que constituíram a origem da cidade, muitos dos quais, orgulho para as tradições. Percebendo que na comunidade até então, ninguém ainda havia se ocupado em cultuar nossas origens, folclore, costumes ou vivências, antes que o tempo se encarregasse de levar para o esquecimento, entramos nesse campo para oferecer nossa modesta contribuição, que sem retórica na linguagem, dentro de nossas limitações, narraremos o que na maioria ainda recordamos do que vimos e do que ouvimos de pioneiros”.

A GAZITA MAGAZINE tinha assinantes fieis em vários estados da federação e até em outros países, que visitavam a região, travavam conhecimento com moradores e faziam questão de acompanhar as publicações, interagindo através de correspondência, onde enviavam sugestão de temas para publicação, com o intuído de reviver, relembrar ou mesmo conhecer a cultura e as tradições do lugar. A cada número agradava mais os seus leitores, pelo estilo de reprodução dos fatos vivenciados.

Com capa “em cores” e interior em “preto e branco”, as publicações traziam inúmeras fotografias de personalidades atuais e da história, e fazia questão de deixar registrados fatos para que não fossem esquecidos e se perdessem.

Eram matérias muito comentadas pelos leitores, como a narração da “REVOLTA CARVALHINHO-MORBECK”, a Expedição Roncador-Xingu, informações da FBC – Fundação Brasil Central, memórias do trabalho feito pelos irmãos sertanistas Orlando Villas-Bôas e Cláudio Villas- Bôas, enriquecidas por relatos de pessoas que estiveram no local junto aos protagonistas.

Histórias comoventes e de lutas dos nordestinos pioneiros que aqui chegaram, atraídos por notícias de tesouros e riquezas existentes na região e influenciaram decisivamente na formação cultural do garimpo mato-grossense.

Meio século de convivência de Valdon Varjão com esse povo trabalhador, rude, corajoso e ao mesmo tempo de simples convivência, nas “grupiaras” e “monchões”, influenciou decisivamente sua obra literária.

A seguir, imagens de páginas da Gazita Magazine.

Observação: devido à necessidade de preservação e cuidado com os originais dos exemplares das revistas, as imagens, ao ser escaneadas, podem estar fora do alinhamento ideal.

Editorial e Expediente Gazita Magazine, edição 3, ano I de 31 de janeiro de 1978. Na parte inferior, imagem da Lancha Gazita, que inspirou Valdon Varjão e deu nome à revista.
Nossa Gente: destaque para expoentes Barra-Garcenses.
Cerealista Pérola d’Oeste S/A. – Anunciante da Gazita Magazine, na contracapa da edição 3.

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Comments (4)

  1. Matéria maravilhosa! 💎

  2. Jóia rara! Maravilha!… 💎

  3. Brilhante matéria!

  4. Preciosidade esse jornal! Parabéns pela matéria!
    Larissa Venucia Freitag Varjão Alves

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