HISTÓRIA

VALDON VARJÃO – BREVE BIOGRAFIA

Imagem: acervo Valdon Varjão

Nasceu em 15 de dezembro de 1923, em Cairus, no estado do Ceará. Filho de Manoel Cardoso Varjão e Maria Olímpia Varjão e em 1928, aos quatro anos de idade acompanhou os pais em uma leva de migrantes nordestinos que vieram à procura de trabalho no garimpo de diamantes, e se instalando em Baliza, Goiás, às margens do Rio Araguaia.

Teve uma infância difícil, porém, feliz, na medida do possível, apesar da pobreza que a vida impunha àqueles tempos. Infância que ficou fartamente registrada em poemas de sua autoria. Em Baliza morou até os 16 anos na cidade de Baliza –GO e transferiu-se para Barra do Garças, em junho de 1939.

Em 1944, contrai matrimonio com Maria do Rosário Peres – a quem carinhosamente chamava de Rosarinha -, moça de rara beleza e de uma família muito querida na região. Quatro anos depois, ocupa o primeiro cargo público, como secretário da Prefeitura de Barra do Garças, dando assim seus primeiros passos na vida pública.

Iniciou a carreira política como vereador, sendo eleito para diversos mandados no início e ao final da carreira política.

Em 1957, então Presidente da Câmara de Vereadores do Munícipio e assumiu o cargo de Prefeito. Em 1958 disputou as eleições e foi eleito prefeito. Projetou-se aí no cenário da política mato-grossense elegendo-se deputado estadual.

Barra do Garças e a região do Vale do Araguaia deram a ele a oportunidade de uma profícua e bem-sucedida carreira política, onde encontrou a rota de sua vida, em mandatos a ele conferidos e exercidos com honradez, idoneidade e tendo isso como missão de vida, um verdadeiro sacerdócio. Desde o início, como Secretário da Prefeitura, depois Vereador, Prefeito, Deputado Estadual, Deputado Federal e Senador da República, foram muitos os degraus alcançados em sua vida pública, fruto de luta e dedicação.

Marcou seu mandato no Senado Federal, além da efetiva representação e defesa do estado do Mato Grosso, ter como princípio o combate a toda e qualquer discriminação, seja de raça, sexo, credo e origem. Foi considerado o primeiro Senador Negro da República pela imprensa brasileira, em reconhecimento pela sua luta.   Fez inúmeros pronunciamentos onde denunciou a equivocada, segundo sai visão, política indigenista do governo federal, o abandono do povo nordestino à própria sorte, além da discriminação e o preconceito racial, então muito fortes e arraigados na sociedade brasileira.

Em conferência na cidade de Fortaleza – CE, proferiu discurso histórico, no qual denunciou a pseudolibertação do povo negro da escravidão, pois segundo seu entendimento, o preconceito e a discriminação naqueles tempos, infelizmente, eram pratica viva, comum e rotineira em determinados segmentos da sociedade.

No Senado iniciou os ensaios literários, guiado pelo amor, a dedicação e a necessidade de divulgar, enaltecer, valorizar, registrar e perpetuar fatos simples vivenciados pelos nobres e audazes garimpeiros anônimos, companheiros de profissão, infortúnios e de fé.

A partir da visibilidade que tinha no cenário nacional, prestou à Região do Vale do Araguaia um serviço constante de divulgação de suas belezas e potencialidades. Compendiou sua atuação na casa maior do parlamento brasileiro, em uma obra lançada em 1982, com o título: “Quando Estive Senador”.

Em 1983, assumiu o cargo de Subsecretário de Estado no Escritório de Representação de Mato Grosso (ERMAT) em Brasília, e em 1985 foi Secretário Estadual da Indústria e Comércio.

Em 1986 assumiu na Câmara seu mandato de Deputado Federal, deixando ali, como no Senado, registradas as marcas de sua atuação como homem público idealista e leal ao seu povo.

Amante e defensor incondicional dos valores culturais e populares, registrou para a posteridade e para a história tudo o que viu e viveu. Em 1987, fundou em Barra do Garças, a ALCACO – Academia de Letras, Cultura e Artes do Centro-Oeste, com o objetivo de proporcionar a escritores, prosistas, poetas e artistas a oportunidade de se confraternizarem e dividirem experiências, além de disseminarem cada vez mais a cultura regionalista do Centro-Oeste e, por conseguinte, da região do Vale do Araguaia. A ALCACO hoje é presidida pelo cantor, compositor, ativista cultural e escritor Divino Arbués.

Valdon foi membro da Academia Mato-Grossense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do Mato Grosso, Academia Maçônica de Letras, Academia Paulistana de História, Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, além da Ordem Nacional dos Bandeirantes.

Esta é a trajetória de vida, do Homem, empresário, político escritor e poeta. Em um discurso repleto de emoção, enquanto Senador da República, proferido na Câmara Municipal de Barra do Garças em 6 de abril de 1982, data em que recebeu o título de Cidadão Barra-Garcense disse:

“Agora, posso morrer em paz: quer contemplando um pôr do sol maravilhoso lá nas pontes, que um dia se tornaram ponto de união entre Barra do Garças e o progresso, ou antevendo um preludiar dolente do canto da seriema, quer sentindo a cor avermelhada das aguas do buliçoso Garças, que assemelha-se à minha pulsação sanguínea quando hoje, posso orgulhosamente dizer que fui um dos fatores de sua grandeza menestrel, de sua epopeia gigantesca, ou ainda, ao divisar na união geográfica que o teu Garças fez com o Araguaia, numa espécie de conclamação aos homens para viverem em paz. Eu te saúdo, Barra do Garças. Se antes te amava, posso agora passar à idolatria, nesta ascensão sentimental a que se permitem todos aqueles que tem uma razão a mais para amar”.

Valdon Varjão deixou essa vida terrena em 3 de fevereiro de 2008. Mas, sua memória permanece viva nos corações do povo, por quem bravamente lutou e dedicou sua vida, sua existência.

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Comments (2)

  1. Trabalhou no Senado Federal contra os preconceitos de raça, cor e credo e lutou contra as discriminação e minorias no Brasil. Principalmente a racial, que sofreu muito e até hoje é prática rotineira em alguns segmentos da sociedade. Como mostra o fantástico deste domingo relatando vários episódios de ofensas e discriminação.
    No Senado fez ensaios literários, guiado pelo amor, a dedicação a Barra do Garças-MT. Compendiou sua atuação na casa maior do parlamento brasileiro, em uma obra lançada em 1982, com o título: “Quando Estive Senador”.

  2. Parabéns pela matéria! Mta história pra contar!
    Larissa Venucia Freitag Varjão Alves

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