A Expedição Roncador - Xingu e a Fundação Brasil Central

A Expedição Roncador - Xingu e a Fundação Brasil Central - Marcha para Oeste

Fundação Brasil Central

                                              Pesquisa do Professor Eder Libório

Durante o tempo em que o Brasil esteve participando da segunda Grande Guerra (1942- 1945), João Alberto Lins de Barros exerceu uma excepcional gama de poderes, em função dos papéis que protagonizou: negociador dos chamados Acordos de Washington (1942), em decorrência dos quais o Brasil veio a ingressar na guerra, ao lado dos Estados Unidos ministro extraordinário da Coordenação da Mobilização Econômica, órgão centralizador dos esforços nacionais de guerra; presidente do Conselho de Imigração e Colonização (CIC); presidente da Fundação Brasil central (doravante FBC); além de outros.
Foi na função de coordenador da Mobilização Econômica que baixou a Portaria No. 77, de 3 de junho de 1943, pela qual ficava determinada a organização da Expedição Roncador-Xingu, entidade logo depois tomada como de “interesse militar” – Decreto No. 5.801, de 8 de setembro de 1943. A Expedição teria como tarefa o estabelecimento de uma rota terrestre, aérea e de rádiotelégrafo entre as cidades do Rio de Janeiro/RJ e Manaus/AM, passando por Porto Velho/RO.
A urgência desta medida decorria da circunstância de encontrar-se o Brasil em guerra e, em conseqüência disto, acharem-se as suas regiões litorâneas (assim, a navegação costeira) vulneráveis a ataques inimigos. Na época, a navegação marítimo-fluvial era o único modo possível de se alcançar a região Norte do país, bem como grandes porções da região Centro-Oeste. O plano a ser executado pela Expedição consistia em, a partir de uma base de apoio instalada em Uberlândia (estado de Minas Gerais), então ponto final da estrada de ferro Mogiana, construir uma rota terrestre composta de um trecho de rodovia e outro de estrada carroçável – por caminhões, equipamentos automotores de grande porte ou veículos de tração animal -, entre esta cidade e a margem direita do rio Tapajós, a partir de onde, por via fluvial, alcança-se Manaus.
Ao longo desta rota, a expedição deveria instalar inúmeros postos de apoio à aviação, dotados de campo de pouso, instalações para funcionamento de serviço de rádio-comunicação e um conjunto de edificações rústicas, para abrigar equipes em serviço.
Para viabilizar o cumprimento da missão para qual foi criada a Expedição, João Alberto e seus colaboradores empreenderam intensa campanha de mobilização de recursos, em forma de dinheiro, veículos, artigos de campanha e outras, mediante doações de empresas, organizações da sociedade civil, etc. Paralelamente a isto, a Coordenação da Mobilização Econômica realizou atividades de recrutamento de recursos humanos, em grande número de indivíduos, desde pessoal técnico em construção de estradas, pontes e outras obras de arte, a médicos, topógrafos, sertanistas (atuais indigenistas), pilotos de avião, trabalhadores braçais, caçadores, cozinheiros, etc. Para comandar a expedição, foi nomeado o tenente-coronel Flaviano de Matos Vanique, até então chefe da guarda pessoal do presidente da República.
Em 11 de agosto daquele ano de 1943, os membros da Expedição, vindos em sucessivas levas, acharam-se reunidos em Uberlândia/MG. Nesta localidade, já antes se havia estabelecido uma sofisticada base de apoio, cuja função inicial seria prover o abastecimento dos grupos expedicionários, tanto os que iriam atuar no primeiro trecho da rota, entre Uberlândia e a região do alto rio Araguaia (onde a este se junta o rio das Garças), em Goiás, como os que, a partir daí, atuariam como vanguarda da Expedição, realizando reconhecimento de terreno e abrindo picadas, em território até então desconhecido, no estado de Mato Grosso.
Havia já uma estrada, aberta pela iniciativa privada, entre Uberlândia e o ponto a ser atingido pela Expedição, na margem esquerda do rio Araguaia. Em realidade, diversos trechos da estrada existente não passavam de trilhas abertas por particulares, para o tráfego de carros de bois e tropas de muares, as maneiras mais comuns pelas quais, na época, fazia-se o transporte de cargas, em todo o estado de Goiás. Muito raramente, algum caminhoneiro (em geral, também comerciante) aventurava-se a trafegar com seu veículo por aquelas paragens, sobretudo nos últimos trechos da via. Os rebanhos de gado bovino, na época, a mercadoria de exportação por excelência do estado de Goiás, transportados por seus próprios meios, seguiam principalmente por este caminho, em direção a seus mercados, no estado de São Paulo.
Por esta estrada, chegaram à margem esquerda do Araguaia, transportados em caminhões, os primeiros grupos de expedicionários, os quais se encarregariam de construir, além de toscos abrigos para si próprios e para os materiais destinados à Expedição, também um precário campo de pouso para aviões. No trajeto, passaram por diversos aglomerados urbanos do estado de Goiás, alguns deles já tradicionais – Santa Rita do Paranaíba (atual Itumbiara), Rio Verde e Rio Bonito (atual Caiapônia) -, outros ainda meros arraiais – Monte Alegre, Bom Jesus e Ibotim (atual Bom Jardim de Goiás).
A localidade escolhida, em razão de suas boas condições de salubridade, para servir de base avançada à Expedição, possuía já algumas construções rústicas, habitadas por uma pequena população de garimpeiros; denominava-se Barra Goiana (Hoje Aragarças). Em frente a esta localidade, erguia-se do lado mato-grossense do rio Araguaia, um povoamento relativamente consolidado, chamado Barra Cuiabana, origem da atual cidade de Barra do Garças.
No dia 14 de agosto de 1943, o ministro João Alberto, havendo pousado no pequeno aeroporto recém construído, escolheu, pessoalmente, a área na qual seriam construídas as primeiras edificações permanentes da base de Aragarças, o novo nome por ele próprio dado àquela localidade. Na ocasião, ali se erigiu um monumento, sob a forma de uma cruz esculpida em madeira, o qual seria inaugurado a seguir, mediante cerimônia solene, a fim de que viesse a representar o “marco zero” da rota a ser aberta até a margem direita do rio Tapajós, a oeste do estado do Pará.
O Boletim Geográfico noticiaria o evento histórico:

“Com a presença do ministro João Alberto e pessoas da caravana de jornalistas, realizou-se uma missa campal, celebrada em ação de graças pelo início da construção da cidade de Aragarças, nome que assinala a confluência dos rios Araguaia e Garças. A cerimônia foi oficiada pelo padre Vitório, da ordem dos Salesianos que antes da missa pronunciou uma oração, saudando o ministro João Alberto. O sacerdote rezou a missa diante de uma bela cruz construída com madeiras da região...”

Em outubro daquele mesmo ano, no entanto, um novo órgão seria criado – Decreto No. 5.878, de 4 de outubro de 1943 -, para atuar na zona a ser percorrida pela Expedição. Tratou-se da Fundação Brasil Central (FBC), instituição que além de tomar para si a missão antes àquela atribuída, tinha por objeto, segundo seus estatutos – aprovados pelo Decreto No. 17.274, de 30 de novembro de 1944 -, “o desbravamento e a colonização das regiões do Brasil Central e Ocidental, notadamente as dos altos rios Araguaia e Xingu.” Assumiu a presidência do novo órgão, o ministro João Alberto Lins de Barros.
A FBC constituiu-se como entidade de dupla natureza jurídica. Conforme seus estatutos, ela seria, de uma parte, instituição de direito público e, de outra, instituição de direito privado. Graças a esta dupla condição, ela pode, por um lado, constituir e conservar um vasto quadro de pessoal estável, remunerado com verbas do orçamento da União brasileira e, por outro, organizar sociedades empresariais (duas limitadas e duas anônimas), além de explorar numerosos outros negócios, tanto industriais como dos serviços. Ademais, a ela foi entregue, em regime de administração delegada, a gestão de uma empresa da União, já antiga, a Estrada de Ferro Tocantins – seu trecho inicial fora inaugurado em 1905.
E a FBC conservaria sua dupla natureza jurídica, ao longo de sua existência - até 1968 -, com um pequeno interregno, no começo dos anos de 1950. Os investimentos empresariais realizados pela FBC foram de grande monta. Duas das empresas fundadas, as sociedades anônimas, atuariam no ramo industrial da produção de açúcar e álcool; foram elas: a Usina Central Sul-Goiana e a Usina Fronteira. A primeira foi instalada no município de Rio Verde, no estado de Goiás (onde se acha a atual cidade de Santa Helena) e a segunda instalou-se no município de Frutal, no estado de Minas Gerais.
As duas outras empresas foram: Entrepostos Comerciais Brasil Central e Companhia de Navegação Amazonas. A primeira explorava o comércio, no atacado e no varejo, do ramo de “secos e molhados”, ou seja: tecidos, armarinhos, calçados, chapéus, medicamentos, ferragens, ferramentas, produtos veterinários, enlatados, bebidas, combustíveis, etc. Esta empresa instalou diversos armazéns, ao longo da rota entre Uberlândia e Aragarças.
A Companhia de Navegação foi criada para atuar na exploração dos serviços de transporte, pelo rio Amazonas e seus principais afluentes da margem direita, no trecho entre Manaus e Belém.
Nenhuma dessas empresas prosperou, duradouramente, sob a administração da FBC. As duas primeiras, após sucessivas crises, foram transferidas à iniciativa privada, enquanto que as duas últimas, em conseqüência de administrações negligentes ou despreparadas, foram extintas, simplesmente. Apesar de tudo isto, foram grandes os benefícios que trouxeram, ao estado de Goiás, as duas empresas que atuaram em seu território. A usina Sul-Goiana, instalação industrial modelo, no ramo de sua atuação, na nova condição de empresa estritamente privada, segue prosperando até os dias atuais.
Os Entrepostos Comerciais, por seu turno, enquanto existiram, corresponderam perfeitamente a um dos objetivos de sua criação; isto é: produzir, na população regional, hábitos de consumo monetarizado, fator que, do ponto de vista das autoridades da FBC, teria como resultados, de um lado, a abertura de novos mercados para produtos industriais e, de outro, a modernização dos modos de vida da população interiorana.
A FBC atuaria na condição de instituição de direito público, sobretudo, na missão que herdara da Expedição Roncador-Xigu e em atividades dela derivadas, levadas a efeito nas regiões dos estados de Goiás, Mato Grosso e Pará, próximas à rota projetada entre Uberlândia e o rio Tapajós, onde hoje se acha a cidade de Jacareacanga/PA.
Acompanhando esta rota, a FBC construiu, além das cidades de Aragarças e Xavantina e do núcleo urbano de uma colônia agrícola em Vale dos Sonhos (origem do atual distrito barragarcense do mesmo nome), numerosas estradas de rodagem e campos de aviação.
E, na execução das atividades concernentes a essa imensa área relatou, a respeito deste ponto, João Alberto: “Penso que integrar aquelas populações brasileiras na civilização para que elas se aproveitem das conquistas modernas incorporadas à nossa existência e tão imprescindíveis a todo ser humano, é um dever primordial”.- junho/1945.


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