Origem da ocupação histórica e econômica de Barra do Garças

Histórico de Ocupação da Região Barra-garcense

Governador garcia Neto, Prefeito Valdon Varjão e engenheiro José Fragelli.

 A princípio, a área então ocupada chamava-se Registro do Araguaia, topônimo que se originou do posto de arrecadação instalado à margem do Rio do mesmo nome. Consideramos como sendo a primeira penetração organizada no território de Barra do Garças, a feita pela “Bandeira” chefiada por Bartholomeu Bueno – O Anhanguera – por volta de 1672, ali encontrado pela expedição de Manoel de Campos Bicudo, Pires de Campos, um dos componentes da expedição regressa a Cuyabá quase meio século depois, com o resultado da exploração de onde surgiu a lenda dos tesouros dos “Martírios”, presumivelmente localizado na zona vivida pelo Sertanista. A lenda que se espalhava despertou ainda mais a cobiça pelo ouro, provocando a descida de sucessivas bandeiras paulistas, em busca na região, do tesouro dos Martírios. Uma delas, chefiada pelo paulista Amaro leite Moreira, por volta de 1752, desce o Rio Araguaia, embocando por um dos seus afluentes que denominou de “Rio das Mortes”, para lembrar o extermínio de seus companheiros. Subindo este Rio, estabeleceu às margens de um de seus afluentes, que, denominou Santo Antônio, nele explorando as lavras da Araés.
Esperando encontrar a Serra dos Martírios com seus fabulosos tesouros, Amaro fundou ali o Arraial de Araés, povoado inicialmente por criminosos foragidos, e por elementos de outras expedições, que chegaram posteriormente.
Até então inexistia outro sinal de ocupação à margem esquerda do Rio Araguaia. Passando o povoado a servir de Sede de um pôsto mantido pelas autoridades Cuiabanas, servia de intermediário entre Cuiabá e Vila Boa de Goiás, passando posteriormente a denominar-se Santo Antônio do Amarante, por ordem do Capitão-General Luiz Pinto, em 1769.
Devido as doenças, ataque de índios, falta de recursos e pelas desordens praticadas, o povoado não prosperou. Em 14 de maio de 1774, o Dragão – Domingos Barbosa Leme, instalou, por ordem do Governador Luiz Albuquerque, o pôsto que denominou Registro de Insua, na estrada entre Cuiabá e Goiás, 07 (sete) quilômetros aquém do Rio Araguaia.
Sob seu comando estabeleceu ali o primeiro destacamento Policial da zona. Posteriormente, esse pôsto foi transferido para as margens do Rio Araguaia, com o nome de Registro do Araguaia, em torno do qual se formou o povoado de Araguaiana. A Lei nº 211, de 10-05-1899, criou na povoação de Registro do Araguaia, uma paróquia com a denominação de Araguaia.
A decadência do ouro e o aparecimento do diamante, marcou o início de despovoamento desta zona, e iniciando nova fase de exploração de pedra preciosa na região do Garças, por volta de 1895. Atraindo para essa região exploradores de várias partes do Brasil, como Goiás, Minas Gerais, Bahia e Maranhão, bem como, de mercadores ambulantes, tropeiros e as meretrizes. Nessa época surge o litígio entre Goiás e Mato Grosso, fato que muito contribuiu para a perturbação da ordem pública nos garimpos.
Não bastasse isso, surgiu também, o incidente das minas, rebelião chefiada pelo Engenheiro José Morbeck, que, com objetivo políticos e subversivos, se insurgiu contra as autoridades legalmente, constituídas, tentando implantar um regime próprio, à revelia dos poderes centrais. Por ordem de Morbeck, uma série de irregularidades foram praticadas, como o assassinato do Coronel Honório Álvares, Dionízio Carvalho Sargento e Comandante do Destacamento e o Substituto do Juiz Federal.
Para restabelecer a ordem pública seriamente perturbada, foi organizada a expedição policial comandada pelo capitão Daniel de Queiroz, que após, sangramentos combates, conseguiu desbaratar definitivamente as tropas Morbequistas, em 1926. Reinando, então, a Paz, iniciou o desenvolvimento da região.
Na zona de mineração nasceu alguns povoados, entre outros Barra Cuyabana, hoje Barra do Garças. Em 1924, chegaram ali, procedentes da Vila do Registro do Araguaia, Antonio Cristino Côrtes e Francisco Dourado, acompanhados de alguns garimpeiros.
A firma Emiliano Costa e Cia., foi a primeira, a se estabelecer no povoado com casa comercial, em 1924, trazendo como auxiliar o Senhor Antônio Paulo da Costa Bilego, futuro prefeito da cidade que protagonizou a emancipação política de Barra do Garças, com o apoio do então deputado Heronides Araújo – mentor do referido Decreto de Lei.
Vale ressaltar que Araguaiana (Registro do Araguaia) era o meio termo entre a capital de Mato Grosso, Cuyabá , e a de Goyaz , Vila Boa, embora tivesse sido terreno de passagens dos bandeirantes paulistas que tentavam preação de índios, e posteriormente exploração de jazidas aluviais de minerais preciosos (ouro e pedras preciosas). Dentre esta releva-se as aventuras de Couto Magalhães em 1864, que trouxe de Cuyabá ao Rio Araguaia em carros de Boi , navios vindos da bacia do Prata, em audacioso projeto de navegação fluvial para ligar o Brasil de sul a Norte; sonho este que persisteainda hoje, na mente de muitos visionários, como sendo a “redenção” econômica do Centro-oeste – a exemplo da ferrovia Norte-Sul em implementação contemporânea.
Por seu turno, Marechal Cândido Rondon em 1894 marcou a história de Araguaiana, quando ligou telegraficamente Cuyabá/MT a Vila Boa/GO (atual cidade de Goiás), sendo que dentre os fatos de maior importância para toda a região neste período foi a instalação das Colônias Salesianas nas Missões catequéticas de cristianização ou domesticação dos silvícolas locais.
No início do século passado inúmeros migrantes vindos do Norte, em especial do Maranhão e Pará, por via fluvial pelo Araguaia em busca da exploração mineral garimpeira, a partir da publicidade que se fazia das jazidas diamantíferas que descobriram no sudeste de mato Grosso e circunvizinhança do Rio Araguaia. Em outra onda de ocupação, vieram centenas que subiram de Baliza/GO a região em direção contrária, vindos também pelo Araguaia.
Como resultado do sucesso da exploração garimpeira em Barra Cuiabana houve o êxodo de Araguaiana para esse povoado, que conheceu acelerado desenvolvimento que proporcionou-lhe estabilidade para ser transformada em município.
Por fim foi criado o município (Decreto-Lei 121 de 15 de setembro de 1948) com o nome Barra do Garças, que veio a ser o município mais extenso geograficamente do país, conhecido popularmente como: “Grande Barra”.
A população Araguaianiense mudou-se em peso para o município recém criado, deixando na ex-sede um “grande vazio”, sendo que logo perde sua hegemonia política e torna-se distrito de Barra...
A colonização do médio Araguaia apresenta ainda algumas características peculiares: pois as terra matogrossense se confundiam com as dos estado do Pará por indefinição das fronteiras territoriais. Esta área toda tinha aproximadamente 200 mil quilômetros quadrados, que constituíam até então o norte do município de Barra do Garças; que foi desmembrada após o período de migração sulista e expansão agrícola, denominada pelo INCRA como colonização dirigida, em que resultou na emancipação de vários municípios, dentre estes destacam-se: Nova Xavantina, Canarana, Luciara, Santa Terezinha, Água Boa. Além destes, vale mencionar outros, que embora não desmembrados de Barra do Garças, são vizinhos e formam os mesmos entrelaços de relação cultural, socioeconômico, comercial e política, como Aragarças, General Carneiro, Torixorel, Pontal do Araguaia, Baliza, etc.
Em períodos mais recentes, logo no início do século passado, o nacionalismo geográfico seria retomado com a Expedição Rondon, ao mapear, de 1906 a 1910, uma área, aproximadamente, do tamanho da França. Já Getúlio Vargas (1930 a 1945) resolveu reassumir o projeto, sendo este pródigo em imagens simbólicas de bandeirantes e desbravadores dos sertões, através da Expedição Roncador-Xingu, da qual se originaria a Fundação Brasil Central.
Para abrir o Brasil Central à colonização, foi absolutamente estratégica a “pacificação” dos índios xavantes, por Francisco Meirelles, também nos anos 40. Os xavantes fechavam uma grande área a Oeste do Araguaia, uma vez que defendendo seu território, atacavam os que ali se arriscavam. Diferentes expedições do antigo Serviço de Proteção aos Índios, que buscavam um contacto pacífico com os xavantes, acabaram com a morte de todos os seus membros. Aí reside a importancia da missão religiosa a cargo da ordem dos Salesianos, que cumpria a importante “missão” de catequisar os indígenas, comesticando-s-os e/ou pcificando-os por meio da aculturação religiosa, a qual a Igreja católica já tinhe tradição secular...
Veio em seguida Brasília, e com a nova capital vieram a estradas unindo-a a quase todo o País. Aragarças e Xavantina, cidades criadas a partir de bases da Expedição Roncador-Xingu, eram habitadas por funcionários da Fundação Brasil Central, cujo emprego era o de ali morar e, vez por outra, comunicar-se pelo rádio com outros centros semelhantes e com a sede em Brasília. Sua função era a de ocupar o território para o estado brasileiro.
Dentre estes, destacava-se Aragarças, que era muito maior do que Barra do Garça, do lado matogrossense do Araguaia, ao contrário do que acontece hoje. Xavantina tinha uma meia dúzia de casas ao redor de uma antena de rádio e o indefectível “hotel de trânsito”, abrigado em uma casa velha.

                                                                                                                                            Eder Libório

A ORIGEM E OCUPAÇÃO HISTÓRICA E ECONÔMICA DE BARRA DO GARÇAS E REGIÃO

A Mesorregião Sudeste Matogrossense, e em especial a microrregião do Médio Araguaia/MT, que compreende os territórios lindeiros ao Rio Araguaia, desde a foz do Rio das Garças até o município de Ribeirãozinho, representados pelos municípios de: Barra do Garças, Nova Xavantina, Água Boa, Campinápolis, Canarana, Alto da Boa Vista, Querência, Ribeirão Cascalheira, Pontal do Araguaia, Ribeirãozinho e Torixoréu. Sua área (8,4% do Estado) acolhe uma população de aproximadamente 145.000 habitantes (6,5% do total estadual).
A rodovia BR-158, pavimentada até o entroncamento com a MT-326, constitui o principal eixo viário estruturador da região. As demais rodovias – MT-100 e MT-326 - que constituem o sistema viário regional, não possuem pavimentação.
Ao longo do processo histórico de sua ocupação, a região foi alvo de várias iniciativas de colonização, promovidas pelo Estado Nacional ou pela iniciativa privada, mas sempre sob alguma forma de parceria com o mesmo. Ainda na década de 40, a criação de núcleos agrícolas (Fundação Brasil Central - Nova Xavantina); nos anos sessenta, a generalizada venda de terras da região nos mercados imobiliários do Sul e Sudeste, em particular, daquelas localizadas no extenso município de Barra do Garças.
Na década de 70, a região é cenário de intensa ocupação, dada a implantação de projetos particulares de colonização (Garapu I e II, Canarana, Tangará I e II, Serra Dourada, Água Boa, Ranchão, Nova Xavantina, Noidori, Tabajú, e vários outros) do que se originou e desenvolveu uma agricultura comercial, especialmente na porção centro-norte da região. Paralelamente, foram implantados grandes projetos agropecuários subsidiados, os quais consolidaram a tendência já existente de ocupação das áreas com pecuária.
Finalmente, após o Programa Nacional de Meio Ambiente (PNMA) e Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) de 1985, até os dias atuais, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) vem implantando, na grande maioria dos municípios da região, inúmeros Projetos de Assentamento de trabalhadores rurais (P.A.), nos moldes da reforma agrária preconizada no Estatuto da Terra. Em 1996, em oito municípios da região, havia 27 Projetos de Assentamento, totalizando 353.613 ha e 3.481 famílias assentadas (em torno de 16.000 pessoas). Em alguns municípios, como Alto da Boa Vista e Ribeirão Cascalheira, a população das áreas reformadas representa mais da metade de sua população residente.
O processo recente de redistribuição fundiária, no entanto, não modificou a extrema concentração da posse da terra: 1,8% dos estabelecimentos, todos com mais de 10.000 ha, ocupam 35% do território regional; enquanto que os estabelecimentos com menos de 100 ha (27,3%) ocupam 1,0% da área. No conjunto da região, a área média dos estabelecimentos é de 1.438,4 ha., enquanto para o total do Estado é de 780,5 ha (dados do INCRA/MT-1995).
Contrastando com a rigidez de sua estrutura fundiária, a região apresenta características produtivas diversificadas. Em 1985, a forma de ocupação do território dividia-se claramente entre as tipologias de Área de Fronteira com exploração pecuária (Alto da Boa Vista, Querência e Ribeirão Cascalheira); Área de Transição com Tendência de Expansão da Agricultura Comercial (Água Boa, Campinápolis, Canarana e Nova Xavantina) e de Área Consolidada com Tendência para a Expansão da Pecuária, nos municípios de ocupação mais antiga, situados ao sul, onde se inclui Barra do Garças.
Os índices de antropização da maioria dos municípios da região supracitada situam-se entre 50 e 60%, destacando-se os municípios de Araguaiana e Cocalinho, com os mais baixos níveis de antropização (22 e 31%, respectivamente); e Torixoréu (91%), Barra do Garças (71%) e Água Boa (73%), que apresentam os índices mais elevados.
A atividade pecuária é amplamente predominante, embora a agricultura comercial apresente grande potencial de crescimento. Em 1994, o rebanho bovino existente representava 15% do efetivo estadual, sendo que os municípios de Água Boa e Barra do Garças posicionavam-se entre os dez maiores produtores do Estado. A produção agrícola (principais produtos) atingia 4,4% do valor da produção do Estado, destacando-se na produção de banana (30,0%), arroz (17,8%), mandioca (5,1%) e soja (3,2%).
A nível estadual, o município de Campinápolis é o maior produtor de banana (27,5% da área cultivada e 22,9% da produção, em 1995) que, na região tem expressão também em Nova Xavantina e Água Boa.
A nível regional, o município de Água Boa constitui-se no maior produtor de arroz, enquanto Nova Xavantina destaca-se na produção da mandioca. Estes dois municípios, juntamente com Canarana, são responsáveis pela maior parte da produção de soja na região.
O grau de modernização das relações de produção, tanto na agricultura comercial quanto na pecuária, atinge intensidade média a baixa no contexto estadual, mesclando-se relações de trabalho assalariado e trabalho familiar.
A região possui uma rede urbana, estruturada a partir do centro regional de Barra do Garças e do subcentro de Nova Xavantina, sendo as demais sedes caracterizadas enquanto centros de apoio local. Estes dois municípios apresentam as mais altas taxas de densidade demográfica (5,2 e 3,4 hab./Km², respectivamente), a nível regional.
A cidade de Barra do Garças, em situação extremamente privilegiada em relação aos grandes eixos viários, polariza o conjunto da região, apresentando forte relacionamento com Goiânia e com sentido do eixo em direção a São Paulo. Constitui, também importante pólo agroindustrial, abrigando a única indústria de grande porte (mais de 500 empregados) da região.
Na estrutura agroindustrial regional, representada por 152 estabelecimentos em 1996, predominam os estabelecimentos de pequeno porte (menos de 20 empregados), voltadas ao beneficiamento de produtos alimentares (49) e ao processamento de produtos de origem animal (9). A maior parte dessas indústrias concentra-se em Barra do Garças (60 estabelecimentos), mas também se faz presente em Nova Xavantina (25), Água Boa (26), Canarana (15) e Campinápolis (10).
Neste quadro, o município de Barra do Garças apresenta grande dinamismo e melhores condições de vida de sua população, enquanto que os demais apresentam baixos padrões de renda e de instrução, além da pequena base populacional e baixo ritmo de crescimento.

 

 

                                                                                                                                                                                                                                                    


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