Valdon Varjão

Nasceu em 15 de dezembro de 1923, em Cairús-CE, filho de Manoel Cardoso Varjão e Maria Olímpia Varjão. Muito criança, seus pais vieram para Mato Grosso, à procura de garimpo.

Sua infância, cheia de peripécias e de extrema pobreza, confessada na narração de suas poesias, fato que marcou muito a sua vida; morou dos 4 aos 16 anos na cidade de Balisa-GO, onde, mais tarde serviu de inspiração de sua vida literária com a primeira crônica:  BALISA - NOSSO CANTINHO DE SAUDADE: Recordar é Viver. Posteriormente suas memórias deram origem a uma Obra Histórica: BALISA: ETÉREAS REMINISCÊNCIAS.

Chegou à região garimpeira considerada na época um eldorado de nordestinos foragidos da seca em 5 de fevereiro de 1928 e transferiu-se para Barra do Garças, em junho de 1939.

Em 1944, contrai matrimônio com Maria do Rosário Peres, moça de rara beleza e muito querida na região.

Quatro anos depois, ocupa o primeiro cargo público, como secretário da Prefeitura Municipal de Barra do Garças, sendo o primeiro passo para se lançar na vida pública. Iniciou sua carreira política atuando como vereador, cargo que exerceu em sua cidade; Barra do Garças, até o fim de sua vida, 5 de fevereiro de 2008.

Em 1957, assumiu o cargo de prefeito substituto como presidente da câmara e em 1958, como Prefeito Titular, eleito pelo povo.

Projetou-se a partir daí, no cenário estadual mato-grossense elegendo-se deputado estadual.

Em Barra do Garças se transformou em homem público, encontrando na carreira política a rota de sua vida, de vereador, prefeito por alguns mandatos, deputado estadual, federal e senador; foram muitos os degraus alcançados em sua vida pública.

Alcançou seu apogeu político a partir de 1978 a 1982, quando foi considerado pela imprensa nacional: Primeiro Senador Negro da República.

Fez inúmeros pronunciamentos sobre a discriminação, o preconceito e a integração racial, conforme o tema de uma conferencia em Fortaleza-CE, onde proferiu discurso no qual analisa a pseudo–libertação da escravatura, que na pratica cotidiana, ainda está muito viva em muitos segmentos da sociedade.

Em sua atuação no Senado Federal, além de representar e batalhar condignamente pelo povo e as causas mato-grossenses, foi considerado também pela imprensa um defensor das minorias, pois defendeu questões de quem sofre todo tipo de discriminações: raça, cor cedo e sexo.Compendiou sua atuação em uma obra lançada em 1982, com o titulo: Quando Estive Senador.

No Senado iniciou os ensaios literários, guiado pelo amor, a dedicação e a necessidade de divulgar, enaltecer, perpetuar fatos simples vivenciados por nobres e audazes garimpeiros anônimos e companheiros de profissão, infortúnios e de fé. Prestando à Região do Araguaia um trabalho divulgatório de suas belezas e potencialidades.

Em 1983, assumiu o cargo de subsecretário de Estado, no Escritório de Representação de Mato Grosso (Ermat), em Brasília, em 1985 - Secretário da Indústria e Comércio de Mato Grosso. Em 1986 assumiu no Congresso Federal seu posto de Deputado Federal, deixando ali registradas as marcas de sua atuação como grande homem público que foi.

Amante inveterado da cultura, registra na história tudo o que viu e viveu.

Em 1987, funda em Barra do Garças, a Academia de Letras, Cultura e Artes do Centro-Oeste, com o objetivo de proporcionar a escritores, prosistas, poetas e artista, a oportunidade de se reunirem e disseminar a cultura regionalista do Centro-Oeste e do Vale do Araguaia.

Esta é a trajetória de vida, do Homem, empresário, político escritor e poeta. Em um discurso enquanto Senador da República, proferido na Câmara Municipal de Barra do Garças em 6 de abril de 1982, ao receber o título de Cidadão Barra-garcense diz:

“É um adágio antigo de que ninguém escolhe o lugar onde ninguém escolhe o lugar onde nascer.

E embora todos tragam um orgulho natural pelo lugar que lhe serviu de berço, as circunstâncias da vida, muitas vezes; faz com que se almeje eleger outra terra como cidadania...”. Para Varjão: o “estava escrito” dos orientais parece fatalizar a existência humana, e nem sempre podemos devolver à terra onde viemos ao mundo o nosso corpo, quando chegamos ao termo da existência...

Se é verdade o axioma de que: “o homem põe e Deus dispõe”. Na cidadania há uma reversão do princípio, pois Deus pôs e o homem dispôs de sua naturalidade a terra que elegeu por amor, por adoção e por afetividade..."

Diz em um de seus discursos que o título vem apenas confirmar de direito, o que já se constituía de fato, ser um barra-garcense convicto e apaixonado, onde viveu a adolescência, maturidade, e agora a velhice e onde deseja ver seus restos mortais descansar.

Numa narração apaixonada relata toda sua trajetória de vida dificuldades e superações vividas nesta região.

Fala sobre o “Direito do Sangue”, que confere ao indivíduo a cidadania dos seus pais e o “Direito do Solo” que confere igual direito pelo local de nascimento. Quando não se tem a ventura de ser natural,os sistemas jurídicos facultam a cidadania votada.

Plagiando o poeta Gonçalves Dias conclui:

”Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá”.

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